Redes de Cura Bantu: agenciamentos terapêuticos no Centro Espírita São Sebastião

  • Arthur Henrique Nogueira Almeida Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
  • Guaraci Maximiano dos Santos Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas)
  • Isabel Santana de Rose Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
Palavras-chave: Religiões afro-brasileiras, Bantu, cura, Pretos velhos.

Resumo

Este artigo trata dos agenciamentos de cura de um terreiro de matriz bantu, o Centro Espírita São Sebastião. Realizamos este trabalho no objetivo de apreender um pouco da dinâmica dessa tradição religiosa, enfocando a agência dos guias espirituais chamados de pretos velhos, considerados no contexto umbandista como os mentores e principais agentes de cura dos terreiros. As comunidades de terreiro são centros religiosos que prestam o acolhimento e cuidados aos que necessitam, sendo os pretos velhos agentes que ensejam essas habilidades, próprias à matriz religiosa bantu. Lançando mão de um sincrético conhecimento terapêutico e religioso, esses guias orientam, sabem ouvir e compreender as dores humanas, tratando o outro em sua condição, buscando a cura de maneira conjunta.

Referências

ALMEIDA, Arthur Henrique Nogueira. Preto e velho: agenciamentos de cura e ancestralidade em um terreiro de matriz banto. 103f. Graduação em Antropologia pela Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2016.
______. Somos Bantu: Multiplicidades, ancestralidade e agência no Centro Espírita São Sebastião. 161f. Mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2019.
ALTUNA, Raul Ruiz de Asúa. Cultura Tradicional Bantu. Luanda: Edital do Secretariado Arquidiocesano de Pastoral, 1981.
BARBOSA NETO, Edgar Rodrigues. A máquina do mundo: variações sobre o politeísmo em coletivos afro-brasileiros. 360f. Doutorado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2012a.
______. O Candomblé em seus próprios termos. Debates do NER, v. 13, n. 22, p. 195-205, jul./dez. 2012b.
BIRMAN, Patrícia. O que é Umbanda. São Paulo: Editora Brasiliense; Abril Cultural, 1985.
FAVRET-SAADA, Jeanne. “Être Affecté”. Gradhiva: Revue d’Histoire et d’Archives de l’Anthropologie, n. 8, p. 3-9, 1990.
FERRETTI, Sérgio Figueiredo. Repensando o sincretismo. 2 ed. São Paulo: Edusp; Arché Editora, 2013.
GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2008.
GOLDMAN, Márcio. Formas do saber e modos do ser observações sobre multiplicidade e ontologia no Candomblé. Religião e Sociedade, v. 25, n. 2, p. 102-120, 2005a.
______. Jeanne Favret-Saada, os afetos, a etnografia. Cadernos de Campo, v. 13, n. 13, p. 149-153, 2005b.
KILOMBA, Grada. Plantation Memories: episodes of everyday racismo. Münster: Unrast Verlag, 2010.
MONTERO, Paula. Da doença à desordem: a magia na umbanda. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1985.
RABELO, Mirian. A construção do sentido nos tratamentos religiosos. RECIIS, v. 4, n. 3, p. 3-11, set. 2010.
______. Religião e a transformação da experiência: notas sobre o estudo das práticas terapêuticas nos espaços religiosos. Ilha: Revista de Antropologia, v. 7, n. 2, p. 125-145, 2005.
______. Religião e cura: algumas reflexões sobre a experiência religiosa das classes populares urbanas. Caderno de Saúde Pública, v. 9, n. 3, p. 316-325, 1993.
RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala? Belo Horizonte: Letramento, 2017.
SANTOS, Guaraci Maximiano dos Santos. Umbanda, Reinado e Candomblé de Angola: uma tríade Bantu na promoção da vida responsável. 164f. Mestrado em Ciência da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2015.
SANTOS, Francimário Vito. Mulheres que rezam: uma abordagem antropológica entre os saberes das rezadeiras e os saberes dos médicos (profissionais de saúde) no município de Cruzeta/RN. In: Reunião Brasileira de Antropologia. Anais... Porto Seguro: Ícone, 2008, p. 1-18.
SERRA, Ordep José Trindade. Águas do Rei. Petrópolis: Vozes, 1995.
Publicado
2019-09-17
Seção
Dossiê: Religião e saúde: novos arranjos