"Que pedirás, oh senhora, que vos negue o bom Jesus?": culto mariano e epidemia de cólera no interior do Ceará (1855-1862)

  • Paulo Henrique Fontes Cadena Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP)
  • Jucieldo Ferreira Alexandre Universidade Federal do Cariri (UFCA)
Palavras-chave: Cólera, representações religiosas, culto mariano.

Resumo

O artigo analisa como – na conjuntura de aproximação de uma epidemia, entre 1855 e 1862 – a região do Cariri, no interior do Ceará, recorreu à Virgem Maria como meio de defesa frente ao cólera. A partir de cartas de sacerdotes e orações publicadas no jornal “O Araripe”, demonstramos como a doença foi representada a partir de um olhar penitencial, pautado na ideia de castigo divino, e como a devoção mariana foi evocada no auxílio dos amedrontados fiéis.

Referências

Fontes
DHDPG – Departamento Histórico Diocesano Padre Antonio Gomes de Araújo. Carta do Pe. Félix Aurélio Arnaud Formiga a Dom Luís Antonio dos Santos. 21 maio 1862a. Pasta CRA 15, 47.
DHDPG – Departamento Histórico Diocesano Padre Antonio Gomes de Araújo. Carta do Pe. José Tavares Teixeira a Dom Luís Antonio dos Santos. 22 maio 1862b. Pasta CRA, 19, 120.
O ARARIPE. Edição n. 20. 17 nov. 1855. Disponível em: . Acesso em: 25 abr. 2019.
O ARARIPE. Edição n. 45. 17 maio 1856a. Disponível em: . Acesso em: 25 abr. 2019.
O ARARIPE. Edição n. 47. 08 jun. 1856b. Disponível em: . Acesso em: 25 abr. 2019.

Referências
ADAM, Philippe; HERZLICH, Claudine. Sociologia da doença e da medicina. Bauru: EDUSC, 2001.
BIER, Otto. Microbiologia e imunologia. 30 ed. São Paulo: Melhoramentos, 1994.
BOCCACCIO, Giovanni. Decamerão. v. 1. São Paulo: Abril Cultural, 1971.
BOYER, Marie-France. Culto e imagem da Virgem. São Paulo: Cosac Naify, 2000.
DELUMEAU, Jean. História do medo no Ocidente 1300-1800: uma cidade sitiada. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
DUBY, George. Ano 1000, ano 2000: na pista dos nossos medos. São Paulo: Unesp, 1998.
LIMA JÚNIOR, Augusto de. História de Nossa Senhora em Minas Gerais: origens das principais invocações. Belo Horizonte: Autêntica Editora; Editora PUC/Minas, 2008.
MARQUES, Rita de Cássia. A imagem social do médico de senhoras no século XX. Belo Horizonte: Coopmed, 2005.
MEGALE, Nilza Botelho. Invocações da Virgem Maria no Brasil: história, iconografia, folclore. 6 ed. Petrópolis: Vozes, 2001.
MOTT, Luiz. Cotidiano e vivência religiosa: entre a capela e o calundu. In: SOUZA, Laura de Mello (Org.). História da vida privada no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1997, p. 121-175.
NASCIMENTO, Dilene Raimundo do; SILVEIRA, Anny Jackeline Torres. A doença revelando a história: uma historiografia das doenças. In: NASCIMENTO, Dilene Raimundo do; CARVALHO, Diana Maul de (Orgs.). Uma história brasileira das doenças. Brasília: Paralelo 15, 2004, p. 13-30.
PINTO, Abílio Augusto da Fonseca (Org.). Parnaso Mariano. 2 ed. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1890.
RIBEIRO, Márcia Moisés. A ciência dos trópicos: a arte médica no Brasil do século XVIII. São Paulo: Hucitec, 1997.
SONTAG, Susan. Doença como metáfora/AIDS e suas metáforas. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
SOUZA, Laura de Mello e. O Diabo e a Terra de Santa Cruz. São Paulo: Companhia das Letras, 1986.
VAUCHEZ, André (Org.). Cristianismo: dicionário dos tempos, dos lugares e das figuras. Rio de Janeiro: Forense, 2013.
VIANA, Larissa. O idioma da mestiçagem: as irmandades de pardos na América Portuguesa. Campinas: Editora Unicamp, 2007.
VIEIRA, António. Sermão das Dores da Sacratíssima Virgem Maria. In: CALAFATE, Pedro; FRANCO, José Eduardo (Org.). Obra completa Padre António Vieira: Sermões de Nossa Senhora. Tomo II. v. 7. São Paulo: Edições Loyola, 2015, p. 256-262.
Publicado
2019-09-17
Seção
Dossiê: Religião e saúde: novos arranjos